foto: DeviantartQualquer vida passa por alterações básicas, tais como mudar de emprego, entrar para uma universidade, arranjar uma namorada, terminar um namoro, mudar de casa, mudar de cidade etc. É até óbvio dizer que nenhum delas é fácil. Resta tentar entender o porquê de ser tão difícil. Uma das explicações mais razoáveis talvez esteja no "choque do novo" ou "choque do diferente". Assim que você sai da sua normalidade e experimenta outro lugar, outras pessoas e outras situações, a casa cai!
Na minha época de cursinho, Roberto Juliano, excelente professor de literatura, dizia que não conseguíamos ler Sagarana(Guimarães Rosa) porque não queríamos tentar entender um mundo que é totalmente diferente do nosso. Para ele, a compreensão do livro de Guimarães Rosa era uma questão de "descer do pedestal". Julgávamos o livro um "porre", porque retrata vidas distantes da nossa realidade, implicando em um vocabulário totalmente diferente, gestos estranhos, atitudes que parecem infundadas etc. Trata-se de mais um exemplo da nossa inabilidade para lidar com o diferente, com o novo. Segundo Juliano, a mediocridade e a estagnação do conhecimento acontecem ao querermos nos aproximar apenas do que é semelhante a nós. Um exemplo útil é que, logo após conhecer alguém "interessante", um dos elogios que costumamos fazer é "nossa, ela se parece tanto comigo, também gosta disso, também curte aquilo". Roberto Juliano diria: "Então você não gosta da pessoa, você gosta é de você mesmo!".
Tudo seria diferente, entretanto, caso não fossemos tão covardes e cegos. Covardes porque o que gera a dificuldade de lidar com o novo é , basicamente, o medo. Cegos porque não conseguimos enxergar o quanto a diversidade é benéfica e a convivência com pessoas e situações cada vez mais diversas só nos acrescenta conhecimento, além de expandir nossa mente, fazendo com que olhemos para os outros de outra forma e aprendamos mais sobre tudo e nós mesmos.
Enriquecer, pintar usando várias cores, num verdadeiro mosaico... por que é tão difícil?
foto: Deviantart
8 comentários:
Belo texto : sensível e rico. Por quê é tão difícil conviver e aceitar o outro ?Talvez , no nosso comodismo ,achemos que tudo está sob controle ,que tudo vai bem conosco.O contato com o diferente pode nos fazer rever conceitos e nos mostrar um espelho.De repente não somos nada do que pensamos...
eu sou uma dessas pessoas que não dorme direito quando algo novo vai acontecer, além de não dormir direito, penso o tempo todo na "coisa", sinto friozinho na barriga, uma indisposição totalmente psicológica. O novo realmente me dá um medão danado, mas eu enfrento, tem que ser né??? e depois que o mal estar passa, que alívio(ufa!!), daí eu percebo que o novo acaba ficando velho e a rotina continua... Bacana seu texto. Beijo
É rapaz. Como diria o House: "Saber é sempre melhor do que não saber". Mas ele usou a frase para outros motivos. Só achei cabível ao texto. =D. Há coisas das mudanças que percebo que meu possível "medo" é BEM menor, por já ser mais experiente naquilo. Tais como, mudar de cidade, local etc. Acho que a isso, não tenho mais medo, só um "Ah! Que cocô! Mudar da cidade de novo?!" (deixemos claro que não vou me mudar da cidade).
Às vezes fechamos a cabeça quanto a conhecer coisas novas, mas esquecemos de lembrar que tudo que gostamos hoje, foi novo um dia. Seja praticar tênis, seja fazer uma aula de pintura, ir ao Grajaú com o Ivan ouvir samba com as mulatas, ir à uma peça etc. Nosso dia-a-dia é repleto de novidades. Somos só bestas o suficiente para encarar isso e quando nos perguntam "quer conhecer algo novo?" dizemos "não, estou satisfeito com meu ex-novo", todavia nunca com essas palavras.
Ah! Quando fechei a janela e já ia me retirar desse aposento, veio a minha cabeça imagens do filme "Sim, Senhor", atual filme de Jim Carrey. Tirando toda a palhaçada do filme, acho que cabe a esse assunto. Pode ser visto, de uma maneira metafórica, que é um cara que diz "não" às novidades e acha que prefere sua vida. Até que percebe que não é lá grande coisa e o "obrigam" a dizer "sim" às novidades. Aí começa um "quer conhecer isso?" "sim!" e aí vai. Talvez, além de passar positivismo a quem vê o filme, seja uma maneira de dizer "comece a pensar nas novidades que aparecem. Não sabemos de tudo, então, talvez seja bom ir conhecer isso e aquilo". Ou isso é pura interpretação minha e o cara só fez um filme pra dar risada.
hhahahahahaha! adorei a pontuação do texto sr iban.
Esse texto vindo do sr me amedronta.
Muito.
Mesmo.
então falemos da diversidade...
Não conhecemos Psicologia na FMU... tenho uma amiga q pode te iniciar nisso...hehehhe
( estás com medo do novo?) te apresento de coração essa minha "amiga" e vc pode experimentar coisas novas ivannnnn.
Outro exemplo.. unh... vamos lá.. digamos que o sr está caidinho por um ser humano fantástico, que te compreende em tudo, mas quando liga o rádio coloca na 89.1 FM e diz q adora as musicas q ali passam...
é o novo não? talves assim como eles tem medo de ouvir uma suíte de bethoven nós tenhamos medo de ouvir umas coisas aih q ateh me enojam citar...
hehheehe meio ácido meu comentário mas foi o q me veio agora!
abraço e saudades!
É Ivan...o medo do novo, do diverso, é um entrave muito grande na vida de muita gente! Porisso vale ouro se tentar sempre se atirar de cabeça no desconhecido pq, se não der certo, vai ter valido a pena a tentativa e enriquecido de alguma forma nossa visão das coisas!
Bj
Será que os esfomeados já pedem um post do "o que é ser um jovenzinho 89"?
O medo existe pra te mostrar que situação não é comum à você,e por isso pode apresentar algum perigo,ou no caso desse post,algo no mínimo "diferente".Não se deve deixar que o medo afaste você do objetivo,mas apenas que o faça com cautela,seja algo que envolve perigo de vida,ou apenas uma mudança que você tem que encarar da melhor forma possível!
^^
E eu ri muito do posto do Rafael
e concordo com o Breja que é uma boa hora prum post explicando as raízes do Ivan,ou seja,os jovenzinhos 89FM ^^
bjkas!
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